Friday, January 29, 2010

Esses Círculos


Por onde vão esses círculos, vincos
Que nessa parede sólida, bruta
Desmancham as linhas tortas de Aniz,Assis.

Que pelos óculos escuros, impuros
Me fazem crer que o reto, concreto
Move e retorna ao Círculo, Vinco.

E essa linha reta, monótona e tênua
Que desliza sobre os ombros da mulata, morena
E enche meu peito de Orgulho, Mergulho.

Na profundeza dos olhos dela, tela.
Que pinto azul, caque e cru.
E pelo longos cabelos Emaranhados, Fados.

Cantados pelas viúvas negras do Além Tejo, beijo.
Que dado assim, sim.
De rosto colado, de almas Tocadas, Fadas.

Que nesse rumo, escuro, se perdem dentre as florestas.
E fazem vir a caminho de si,
O elo dourado do Sabiá…Sabia?


Rafael F. B. Martins

Wednesday, January 20, 2010

Para Urda Alice Klueger




Meu nome é Rafael Felipe Bento Martins, tenho 23 anos e sou um dos muitos jovens estudantes que apreciam e muito suas crônicas, livros e publicações. Acredito que se eu voltar no tempo, e tentar lhe dizer que já lhe conheço, que já enviei um trabalho quando eu tinha exatamente 14 anos. Você lembraria? Provavelmente não, faz muito tempo! Então, hoje moro nos Estados Unidos da América e estou estudando jornalismo aqui. Acabei de ler sua crônica sobre o Haiti e só me fez te admirar ainda mais. Tenho as mesmas idéias que você tem quanto ao imperialismo Norte Americano, assim como em qualquer lugar do mundo. Você deve estar se perguntando porque então escolhi estudar aqui, certo?
Infelizmente, no mundo que vivemos hoje este país ainda é muito importante. Mas, vivenciando por dentro o estilo de vida Americano, o dito “American Dream”, posso dizer que aprendi muito mais antes de falar sobre o estilo governamental ao qual me vejo inserido hoje. É triste de ver como a vida aqui é robótica, e sem senso comum. Mais triste ainda é presenciar um povo sem cultura, que preza o capitalismo como um alívio para os problemas, ou até como a própria Bíblia.
Eu obviamente não generalizo. Existem pessoas boas ao redor desse vasto planeta azul onde vivemos. Assim como gente ruim também. Posso dizer que vivenciei momentos onde Americanos me trataram com indiferença, assim como brasileiros fizeram o mesmo. Muito complicado é entender porque nosso povo trata tão mal gente da nossa gente quando fora do nosso país de origem. Aqui é para mim, como um Mercado Negro onde a carniça devorada diariamente nem sempre é a do vizinho como quando assistimos naqueles noticiários falando da violência urbana do Rio de Janeiro.
Aqui existe a pobreza, o racismo e as diferenças sociais. Violência não é só um “feature” do Brasil. Mas os “robôs” norte-americanos sentem-se seguros pelo conforto do consumismo exacerbado da população. É incrível ver como em plena crise econômica, em novembro podiam-se ver filas e mais filas de pessoas em frente as lojas de eletrônicos, no Black-Friday. E devo confessar que também participei disso, ao ficar 7 horas num frio de rachar pra comprar meu tão sonhado lap top.
Mas vim aqui não para reclamar, até porque estudar aqui e aprender a língua e a “cultura” Americana é algo q vai me servir e muito para o futuro. Estou estudando jornalismo e quero muito poder me formar, voltar pro meu país e ser reconhecido, não somente pelo pedaço de papel conquistado na Terra do Tio Sam mas, também, pelo meu talento, que creio que seja uma dádiva de Deus.
Lembro quando me falou que meu senso crítico tinha um potencial muito grande. E acreditei em você quando me disse, mas também acreditei em mim. O meu questionar virou imenso em meio á atentados terroristas, terremotos, tsunamis, invasões militares, devastações de florestas, conquistas indesejáveis e diversas outras nuances. Esse mundo louco no qual estamos inseridos agora precisa de questionamentos diários e interruptos. Creio que só assim veremos alguma mudança nessa mente podre e dominadora que assola a humanidade.
Fiquei muito feliz quando recebi um e-mail da minha mãe mostrando o belo texto que Urda Klueger escreveu sobre o tão triste fato ocorrido no Haiti. Espero que possa depois de quase 10 anos manter contato contigo, trocar idéias e continuar lendo suas histórias e pensamentos. Você me ajudou a crescer como escritor, como questionador, como conhecedor de mim mesmo e do meu mundo. Mundo este que creio ser todo NOSSO.
Com muito carinho e felicidade por reencontrar seu trabalho e talento,
Rafael Felipe Bento Martins

Monday, January 18, 2010

Step right UP!




The Ringling Brothers. Orlando, Florida 2010 Tour.




Um belo domingo de sol, reunido com os amigos( atrasados, mas agente perdoa), decisão MASTER de irmos todos juntos à AMWAY ARENA em Downtown Orlando, Flórida. Ao chegarmos em frente à Arena, acabamos nos deparando com um Grupo Protetor de Animais, de nome não definido, mas foto com certeza tirada. Engraçado ver como aqui nos Estados Unidos existe protesto pra tudo. Mas, diferente do Brasil, os protestos aqui são super pacíficos. Eu fico aqui do outro lado da rua com cartazes falando mal do seu circo, enquanto você fica lá dentro da maior arena de shows e eventos da cidade de Orlando fazendo seu circo brilhar e rodopiar sem ninguém interromper. Go figure!
Quando finalmente o resto do grupo chegou(risos), corremos para achar os nossos assentos. Sabe quando você chega atrasado, e o show já comecou? Aí vc pergunta pra todo mundo onde você deveria sentar, e todos começam a te olhar estranho. Mas, por favor estava escuro e eu não sou obrigado a sair tateando cadeira só pra não atrapalhar o evento(mais risos ainda).
Assentos encontrados, sete no total. Sentamos de frente para o Circo. Tenho que confessar que em 2 horas e meia de espetáculo, não me senti cansado sequer um minuto. Claro que a companhia dos amigos ajuda e muito(puxei o saco, viu?). Os domadores de tigres dentro de suas enormes jaulas nos encantaram. Sem falar dos atléticos rapazes sem camisa de calça coladinha fazendo suas acrobacias um tanto coladinho demais pro gosto, mas não reclamamos de jeito algum: tiramos foto!
O primeiro intervalo veio, e corremos para os corredores em busca de algo para comer, pois estávamos famintos. Como todo ótimo e bom evento que se faz nos Estados Unidos, as unicas coisas que você irá encontrar para comer são: JUNK FOOD! Isso inclui: Pizza( nem um pouco parecida com a do Brazil, mas na fome agente sai no lucro), Cachorro-quente( NUNCA EXPERIMENTEI! Não recomendo!), Pretzels, Sorvetes, Nachos, etc. Tudo o que você possa imaginar de gordura saturada, você encontrará sem falta em qualquer lugar por aqui.
De volta aos nossos assentos, já com o estômago levemente aliviado, assistimos o resto do espetáculo. Incrível e imperdível foi ver 7 motos entrarem no Globo da Morte e rodopiarem feito loucas de deixar qualquer um tonto. Mas o mais incrível foi ver uma mulher no meio das 7 motos ( calma gente, piadinha!).
Depois de alguns louquinhos saltitantes, os elefantes vieram entreter a platéia. Tão fofos! Rolando pelo chão, subindo uns nos outros… e cagando o chão todo. Mas disso agente não comenta. Ah, falando nisso, quando eles viraram de bunda pra platéia, fiquei com um medo terrível de passar pelo mesmo desgosto que presenciei alguns anos atrás na minha vida, quando visitava o Beto Carrero World em Penha, Santa Catarina. Preciso dizer que o elefante peidou na minha cara, neste passado não muito distante? Poisé, aí vai um dos traumas da minha vida, para que possam rir um pouco( por favor, alguém me lembra mais tarde de contar a história de quando fui coroinha? Garanto que são gargalhadas garantidas!).
Por fim, o espetáculo terminou com todos os participantes apresentando-se para o Grand Finale. As luzes acenderam, tiramos algumas fotos, aplaudimos e saímos correndo da arena para comer uns aperitivozinhos no Ale House. O recém nomeado é um barzinho típico Americano que virou meio que o QG da galerinha. Super gostoso pra comer uns snacks, beber uma cervejinha e jogar papo pro ar. Bom, galera aí está um evento que indico muito para os amigos, apesar do circo ficar apenas até o dia 20 de Janeiro aqui em Orlando. Informe-se, convide os amigos e divirta-se! Vale muito a pena.






Tuesday, January 12, 2010

Os Bravos Desbravadores...






Entre caminhos e ninhos hão de ser encontrados
Os damascos secos, ressecados.
Nabiscos e Bispos que sequer relembram dos velhos pastos
Quando os Vascos invadiram as Américas e dissecaram
As carcaças dos indígenas que ali viviam.

Que sobreviveram a vinda dos Bárbaros Desbravadores dos sete mares
Em pares... Ímpares. Marcando o gado com o celo Real
E derrubando as matas com realeza…
Na pureza adquirida pelo sangue das batalhas.

Oh, Bravos Desbravadores tão valentes
Que conquistavam o mundo com seus espelhos
Em busca das especiarias, iguarias
Produtos manufaturados e fartos da podridão da moeda Real.

Que beleza! Quando depararam-se com a Terra à Vista!
Pagando à prazo tudo o que deviam para a outra forte nação