
Meu nome é Rafael Felipe Bento Martins, tenho 23 anos e sou um dos muitos jovens estudantes que apreciam e muito suas crônicas, livros e publicações. Acredito que se eu voltar no tempo, e tentar lhe dizer que já lhe conheço, que já enviei um trabalho quando eu tinha exatamente 14 anos. Você lembraria? Provavelmente não, faz muito tempo! Então, hoje moro nos Estados Unidos da América e estou estudando jornalismo aqui. Acabei de ler sua crônica sobre o Haiti e só me fez te admirar ainda mais. Tenho as mesmas idéias que você tem quanto ao imperialismo Norte Americano, assim como em qualquer lugar do mundo. Você deve estar se perguntando porque então escolhi estudar aqui, certo?
Infelizmente, no mundo que vivemos hoje este país ainda é muito importante. Mas, vivenciando por dentro o estilo de vida Americano, o dito “American Dream”, posso dizer que aprendi muito mais antes de falar sobre o estilo governamental ao qual me vejo inserido hoje. É triste de ver como a vida aqui é robótica, e sem senso comum. Mais triste ainda é presenciar um povo sem cultura, que preza o capitalismo como um alívio para os problemas, ou até como a própria Bíblia.
Eu obviamente não generalizo. Existem pessoas boas ao redor desse vasto planeta azul onde vivemos. Assim como gente ruim também. Posso dizer que vivenciei momentos onde Americanos me trataram com indiferença, assim como brasileiros fizeram o mesmo. Muito complicado é entender porque nosso povo trata tão mal gente da nossa gente quando fora do nosso país de origem. Aqui é para mim, como um Mercado Negro onde a carniça devorada diariamente nem sempre é a do vizinho como quando assistimos naqueles noticiários falando da violência urbana do Rio de Janeiro.
Aqui existe a pobreza, o racismo e as diferenças sociais. Violência não é só um “feature” do Brasil. Mas os “robôs” norte-americanos sentem-se seguros pelo conforto do consumismo exacerbado da população. É incrível ver como em plena crise econômica, em novembro podiam-se ver filas e mais filas de pessoas em frente as lojas de eletrônicos, no Black-Friday. E devo confessar que também participei disso, ao ficar 7 horas num frio de rachar pra comprar meu tão sonhado lap top.
Mas vim aqui não para reclamar, até porque estudar aqui e aprender a língua e a “cultura” Americana é algo q vai me servir e muito para o futuro. Estou estudando jornalismo e quero muito poder me formar, voltar pro meu país e ser reconhecido, não somente pelo pedaço de papel conquistado na Terra do Tio Sam mas, também, pelo meu talento, que creio que seja uma dádiva de Deus.
Lembro quando me falou que meu senso crítico tinha um potencial muito grande. E acreditei em você quando me disse, mas também acreditei em mim. O meu questionar virou imenso em meio á atentados terroristas, terremotos, tsunamis, invasões militares, devastações de florestas, conquistas indesejáveis e diversas outras nuances. Esse mundo louco no qual estamos inseridos agora precisa de questionamentos diários e interruptos. Creio que só assim veremos alguma mudança nessa mente podre e dominadora que assola a humanidade.
Fiquei muito feliz quando recebi um e-mail da minha mãe mostrando o belo texto que Urda Klueger escreveu sobre o tão triste fato ocorrido no Haiti. Espero que possa depois de quase 10 anos manter contato contigo, trocar idéias e continuar lendo suas histórias e pensamentos. Você me ajudou a crescer como escritor, como questionador, como conhecedor de mim mesmo e do meu mundo. Mundo este que creio ser todo NOSSO.
Com muito carinho e felicidade por reencontrar seu trabalho e talento,
Rafael Felipe Bento Martins